Fim do custeio de UTIs Covid-19 é ameaça ao pós-Carnaval, alerta Conselho de Saúde


A Bahia corre o risco de perder, a partir de segunda-feira (28), leitos de UTIs exclusivos de Covid-19, já que o Ministério da Saúde decidiu reduzir em mais de 60% o custeio destes equipamentos no Brasil. Com as diversas festas privadas de Carnaval sendo anunciadas, o Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) estima que este desfinanciamento pode representar uma ameaça ao controle da doença após o período carnavalesco.

Atualmente, a Bahia tem 649 leitos de UTI para a Covid-19 e os recursos para o custeio já vinham sendo complementados pelo estado e municípios. Com a batida em retirada, o governo federal se abstém da sua responsabilidade de financiar a assistência à saúde e deixa a população sob o perigo de faltar equipamentos, sobretudo num momento em que há expectativa de aumento de casos da doença.

O Conselho alerta, ainda, que os estados e municípios já têm enfrentado dificuldades para garantir insumos e profissionais para a vacinação, portanto, há possibilidades de que estes entes não consigam, sozinhos, financiar as eventuais necessidades de saúde caso haja um rebote da Covid-19 após o Carnaval.

“Os números da pandemia estão começando a ficar animadores, mas a gente tem que ter cuidado para não perdermos tudo o que foi conquistado. Protocolos têm que ser seguidos à risca nos eventos, com aumento da fiscalização. Os prováveis impactos de tudo isso virão para a população de classes sociais mais baixas, que precisam dos serviços do SUS”, adianta Marcos Sampaio, presidente do CES.

Neste mês de fevereiro, o conselho enviou ao ministério um ofício solicitando a manutenção do financiamento, uma vez que não é possível prever o surgimento de novas variantes e nem o fim da pandemia. Enquanto órgão fiscalizador e deliberador do SUS, o CES-BA tem pedido a revisão da portaria do governo federal.